Escrever, Falar

Em lugar nenhum. Dois homens encontram-se (ou simplesmente estão) e permitem-se partilhar as suas histórias como quem constrói um guião. Viajam repetidamente nas memórias que eles próprios vão moldando na mesma medida em que o espaço, o som e a luz os moldam. São vítimas da imaginação e da criatividade, como todos nós aliás, e neste doloroso processo criativo, são como putos que não param de se debater com dores de crescimento. Têm dentro formigueiros irritantes, montinhos de criatividade que não conseguem parar e que saltam como pipocas na panela, com um som pungente, mas ridículo, trágico. Talvez encontrem no final o caramelo que cubra tudo isto, quando encontrarem o desfecho final das suas narrativas.

É um trabalho sintético de Jacinto Lucas Pires que, em cerca de uma hora, condensa as suas melhores qualidades como dramaturgo, trazendo-nos personagens que crescem no arco de tempo dos textos, e se reescrevem quase como se pudéssemos assistir ao vivo e a cores ao fenómeno impalpável do aparecimento de uma pessoa em cena.

É uma breve viagem que dá sempre um passo atrás para rever o seu rumo e, sem o auxílio de qualquer sistema de navegação assistida, se vira novamente para dentro com o objectivo de se enriquecer nas palavras dos dois personagens.

Bem-vindos à Casa das Artes de V. N. Famalicão e ao terceiro espectáculo da Momento que tive o prazer de conduzir.

Simão Do Vale Africano

Texto Jacinto Lucas Pires
Encenação Simão Do Vale Africano
Assistência de Encenação Inês Simões Pereira
Interpretação Daniel Silva e Diogo Freitas
Figurinos Joana Africano
Desenho de Luz Pedro Correia
Música Original Daniel Martinho
Apoio à Residência Teatro Viriato
Apoio Teatro Nacional São João
Acompanhamento Fotográfico e Teaser Patrícia Ferreira

Co-produção Momento – Artistas Independentes e Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão

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